Ser confrontado com o diagnóstico de Síndrome de Asperger pode ser muitas vezes aterrador. A pensar nas famílias que passam por esta situação, a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) reuniu um conjunto de testemunhos de portadores desta perturbação e de alguns pais que com ela convivem diariamente.

A importância de ter o acompanhamento certo

A APSA tem como objetivo ajudar os portadores de Asperger a atingir todo o seu potencial. É o caso de Pedro Dores: “O que mudou na minha vida, com a APSA, é que agora tenho objetivos pessoais. Antes de vir para cá passava muito tempo parado em casa sem fazer nada e com a ajuda da APSA consegui organizar-me em termos de projetos. Fiz uma candidatura, com sucesso, para o curso de Tecnologias da Música na Escola Superior de Música de Lisboa.”

Já Luís Proença conta que antes de entrar na Casa Grande se debateu com a incompreensão: “Comecei a sofrer de bullying desde o meu quinto ano de escolaridade até ao nono ano, na escola que frequentei. Senti que a maioria dos meus colegas olhava para mim de forma diferente. E até mesmo os professores. Eu tinha muito receio dos trabalhos de grupo ou até mesmo de estar sozinho no intervalo.”

Por se sentir tão frustrado com a situação, Luís não teve outra alternativa a não ser pedir aos pais que o tirassem dali. É por esta razão que o jovem afirma ser importante, senão crucial, ter o apoio de pessoas e instituições que entendam claramente o tipo de problemas com que estão a lidar. Só assim é que é possível progredir.

Entrar no mercado de trabalho é possível!

O filho de Afonso Dias tinha concluído uma licenciatura mas precisava de melhorar a interação social. Foi por esta razão que entrou para a Casa Grande, em novembro de 2014, e o balanço não podia ser mais positivo: o jovem está mais interventivo, sente-se mais confiante, tornou-se mais autónomo, já questiona, inicia conversas e consegue manter um diálogo de forma natural. Além disso, decidiu tirar a carta de condução e foi recentemente admitido à frequência do mestrado. “Um orgulho”, afirma o pai, Afonso.

Com a ajuda da APSA, as preocupações de Afonso Dias em relação ao futuro de Pedro são agora muito menores, porque sente que o filho é devidamente acompanhado e que tem as ferramentas necessárias para um dia entrar no mercado de trabalho. Destaca, por exemplo, o apoio da Associação na realização de currículos e na preparação para as entrevistas de emprego.

Para já, Pedro Dias lançou o seu próprio negócio online: trata-se de uma plataforma onde este jovem promove não só o seu trabalho artístico com retratos a carvão como pode também receber encomendas. Este projeto foi abraçado desde início pela APSA, que ajudou na sua criação.