Motivos não faltavam para fazer uma visita à Fundação de Serralves, mas desde setembro que pode acrescentar mais um. Ou melhor, 81: este é o número de obras do pintor catalão Joan Miró que pode ver na Casa de Serralves.

A exposição “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose” foi inaugurada a 30 de Setembro. De caráter temporário, a exposição termina a 28 de janeiro, no entanto, a Casa de Serralves vai passar a ser a morada permanente da coleção com 85 obras de Miró. Álvaro Siza Vieira é o responsável por adequar este edifíco da Fundação às suas novas funções.

Composta de obras quase desconhecidas do público, a coleção agora exposta abarca um período de seis décadas estando nela patente a evolução do pintor entre os anos 20 e 80 do século XX. Em conjunto com a Fundação Joan Miró, em Barcelona, e a Fundação Pilar e Joan Miró, em Palma de Maiorca, a coleção de Serralves forma um triângulo único de conhecimento sobre Miró na Península Ibérica.

Joan Miró: um pioneiro do modernismo

Joan Miró i Ferrà nasceu em Barcelona em 20 de abril de 1893 e cedo demonstrou o seu interesse pela arte. Frequentou a Reial Acadèmia Catalana de Belles Arts de Sant Jordi e a Academia de Gali. Após completar os estudos rumou a Paris onde conheceu Pablo Picasso e foi contemporâneo de fauvistas e dadaístas.

Apesar de vir de uma família abastada, sempre recusou o auxílio financeiro dos pais e no princípio da sua carreira as alucinações provocadas pela fome foram um dos motores da sua criação. Diz-se que chegava a casa faminto e desenhava até desmaiar, um processo que usava para ver o mundo de uma forma diferente.

Já na década de 1920, privou com André Breton, o fundador do surrealismo. Em 1925 participou na primeira exposição surrealista, transformando-se num dos expoentes desta corrente com obras como Carnaval de Arlequim e Maternidade. Em 1941 pintou a obra que lhe trouxe maior reconhecimento público Números e constelações em amor com uma mulher.

Conhecido sobretudo pelos seus quadros, Miró foi também escultor, gravurista e ceramista. Em Madrid é possível observar na fachada do Palácio de Congressos e Exposições um belo mural da sua autoria.

A Bienal de Veneza atribuiu-lhe em 1954 o Prémio Gravura e em 1958, o mural do edifício da UNESCO em Paris valeu-lhe o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1980 recebeu do rei Juan Carlos I a Medalha de Ouro de Belas Artes. Joan Miró faleceu na tarde do dia de Natal de 1983 aos 90 anos.