Há uma vida para lá do Asperger. Sim, os portadores desta síndrome podem ser autónomos e sentir-se realizados profissionalmente: se por um lado exibem comportamentos repetitivos ou dificuldades em socializar também são dotados de capacidades reflexivas, criativas e de foco acima da média.

Por cá ainda pode ser novidade mas lá fora há várias empresas que estão a investir na integração profissional de pessoas com Asperger em áreas como consultoria e eliminação de falhas de software de gestão. E não é de admirar!

Um génio diferente 

Assim se poderia intitular Oliveiros Cristina. Em entrevista à revista Visão conta que desde criança que sabia na ponta da língua o nome das capitais de vários países, mas que foi quando recebeu o seu primeiro computador – tinha 11 anos – que encontrou a sua verdadeira paixão: não tardaria em concluir o mestrado na área de engenharia de software, com a excelente classificação de 17 valores.

Só anos mais tarde é que a sua “timidez” o levou a procurar ajuda e a confirmar o diagnóstico: sofria de Asperger. Mas nada o impediu de alcançar quer a realização profissional quer a realização pessoal. Casou-se e trabalha há três anos, na Irlanda, como designer de software numa empresa de telecomunicações.

O papel da APSA

A APSA (Associação Portuguesa da Síndrome de Asperger) também já deu alguns passos neste sentido ao criar programas de empregabilidade. De acordo com a diretora técnica do projecto Casa Grande, Patrícia de Sousa, a Associação tem parcerias com entidades como a Rede Nacional de Transportes (REN), a Quinta d’Avó (fábrica de produtos gourmet), o Arquivo de Lisboa e a Accenture, por exemplo.

No entanto, a diretora confessa à Visão que “a mudança terá que passar, também, pela sociedade que está ainda pouco informada sobre como é estar na pele de uma pessoa com Asperger”.

Será possível tratar a Síndrome de Asperger?

Está a ser desenvolvida uma pesquisa internacional que indica que é possível reverter os problemas comunicacionais do autismo ao nível neuronal, sobretudo no que toca ao comportamento e às interações sociais. Embora ainda seja cedo para o afirmar, os resultados revelam-se promissores e abrem caminho a formas de tratamento, mesmo em fase adulta. Uma possibilidade que poderia ser revolucionária em todos os aspetos da vida dos portadores de Asperger, incluindo a profissional.

O estudo está a ser coordenado pelo investigador Guoping Feng, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, e conta com a colaboração da cientista Patrícia Monteiro, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra.