O catalão Miró e as suas 81 obras começaram a fazer parte da família da Fundação de Serralves em 2016. Mas também aconteceu o contrário: três exposições do Museu levantaram voo além-fronteiras para maravilhar o mundo e garantir-lhe uma posição de gabarito internacional.

Há talento português lá fora!

A exposição Corpus de Helena Almeida tem como morada oficial o Centro de Arte Contemporânea WIELS. O objetivo passa por mostrar ao público belga o melhor do talento português através de uma obra que une pintura, fotografia, vídeo e desenho ao longo de quase cinco décadas. Curiosamente, tudo gira em torno da importância do corpo – como a própria dizia, “A minha pintura é o meu corpo, a minha obra é o meu corpo” – e o curador da exposição, João Ribas, confessa que nenhuma outra mulher conseguiu representar o corpo a envelhecer desta forma.

E não ficamos por aqui. Já em 2015, a Infinite Possibility. Mirror Works and Drawings, da iraniana Monir Farmanfarmaian, rumou até ao Guggenheim de Nova Iorque e por sua vez O Processo SAAL: a habitação em Portugal de 1974 a 1976 teve como destino o Centro Canadiano para a Arquitetura em Montreal. Esta última exposição retrata através de maquetas, fotografias históricas, gravações sonoras, documentários e filmes de 8 e 16mm, o projeto arquitetónico e político que surgiu a seguir ao 25 de Abril para ajudar os mais desfavorecidos.

Mas porque surge agora esta vontade de abrir portas? Suzanne Cotter, a diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, não esconde a importância financeira por detrás destas parcerias, no entanto refere que todas as exposições são pensadas logo à partida para serem partilhadas cá dentro ou lá fora. “Quero que as pessoas saibam sempre que Serralves não é apenas um lugar que recebe arte, mas um lugar que produz conhecimento sobre arte. Quero que nos conheçam também pelas publicações que fazemos e por todo o envolvimento teórico que criamos à volta de cada exposição”, disse em entrevista ao jornal Público.