Embora poucos a conheçam, Suzanne Cotter é a diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. A australiana, que já antes tinha passado por Nova Iorque, Londres ou Paris, chegou à cidade do Porto onde decidiu abraçar este projeto. Passaram-se quatro anos movidos pela vontade de fazer a diferença.

Pôr a arte à vista de todos

Quando entrou pela primeira vez em Serralves, Suzanne Cotter não imaginava o que a esperava. Vinha de uma situação cultural distinta e a arquitetura do sítio era desafiante, mas não tardou em pôr as mãos à obra: “Comecei por tirar paredes [há paredes amovíveis em Serralves] e percebi que estava num espaço muito bonito. Houve uma boa redescoberta do edifício e queria que o público tivesse a mesma reação, um olhar fresco”, conta durante uma entrevista à Sábado.

A ideia por detrás de um “museu sem paredes” reside não só no facto de a arte contemporânea estar em constante mudança, mas também no reconhecimento de que a era digital em que vivemos esbateu essas fronteiras e, por isso, é importante inovar e conjugá-las. Aliás, esta nova visão, que pode relacionar-se numa perspetiva diferente com aquela que já existe, é uma das características mais vincadas da diretora do Museu de Serralves.

Isso e o facto de não ter medo de mostrar a arte que possa parecer difícil: Suzanne faz questão de expor o trabalho de artistas que acrescentem algo às pessoas e a Serralves, sem medo que sejam mal recebidos. Fá-lo porque sabe que a História está cheia de exemplos de artistas incompreendidos. “Noutros tempos, Robert Rauschenberg foi difícil, Picasso foi incrivelmente difícil (ainda é para muita gente)”, exemplifica Suzanne Cotter, para quem o importante é encontrar o equilíbrio entre os artistas e o público, porque um artista só cresce com o reconhecimento do seu trabalho.

Como trouxe Wolfgang Tillmans até nós

A diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves estava em Londres quando conheceu o artista Wolfgang Tillmans e, embora já tivesse assumido o seu compromisso com Serralves, nunca o esqueceu. Convidou-o, sem hesitar, a fazer uma exposição especial, porque Wolfgang, além de realizar um trabalho incrivelmente sensível, e de ser um “artista extremamente generoso tem o seu quê de estrela de rock”, relembra na mesma entrevista.

Esta foi, segundo Suzanne, uma situação feliz para ambas as partes. Para o público português, porque poderia apreciar o seu trabalho e para Wolfgang Tillmans, porque produziu algo inédito.

A paixão pelas artes começou em criança

Suzanne Cotter confessa que sempre gostou de arte e que tinha apenas oito anos quando escreveu a sua primeira peça de teatro. Mais tarde, embora tenha escolhido enveredar pelas Ciências, este amor falou mais alto: revela que durante a sua primeira viagem a França visitou o Louvre e que ficou tão emocionada que voltou à Austrália decidida a estudar História da Arte.

Os anos passaram e é com a mesma paixão que afirma que a grande arte a faz saltar, dá-lhe energia, lhe faz o sangue subir à cabeça. No fundo, diz acreditar que a arte a faz ser uma pessoa melhor.